quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Uma noite com Noel

Esta semana tive o privilégio de participar da 6ª edição do Prêmio Bravo! Prime de Cultura. Vi diversos artistas conhecidos entrando pela mesma porta que eu e colocando uma pulseirinha colorida que permitia circular por ali. Eu estava acompanhada de três amigos, saímos do carro e já fomos para a fila da entrada. A chuva que estava para cair, prenunciava o choro e lamento que reencarnaria ali dentro nas musicas de Noel Rosa.

Lá dentro peguei um suco de maçã e degustei logo na entrada o prazer de caminhar pela Sala São Paulo. Os aperitivos sofisticados não me chamavam tanta atenção quanto à variedade de vestimentas presentes. Sem definição de traje observava-se vestidos longos, curtos, calças sociais e jeans, ternos e roupas descoladas, o desfile ali era mostrar o seu estilo. Uma estética que igual aos comes e bebes não exigia definição, misturava os doces e salgados no mundo contemporâneo.

Depois de fotografar a minha amiga ao lado do cara dos Titãs e observar de longe esta mesma figura pedir uma foto para a Mallu Magalhães e Thelma de Freitas, ouvimos a solicitação para que as pessoas com pulseira verde entrassem. Era a nossa vez! Sentamos, sacamos as câmeras e vivemos nosso momento estrela ali na platéia dos famosos.

Um vídeo começou a ser reproduzido. Eram as propagandas dos patrocinadores prenunciando naqueles créditos iniciais o grande espetáculo que nos aguardava. Uma musica de arrepiar apresentava os eventos que o Bradesco patrocinava e um vídeo filosófico demonstrava a importância da CPFL na vida de todas as pessoas que apertam interruptores.

Logo após, apareceu a reprodução de uma tela bem conhecida para os internautas: a interface do gmail. Um remetente anônimo escrevia uma mensagem a Noel Rosa. Ele contou que o Poeta da Vila é ícone nacional nas redes sociais, tem perfil no Facebook e no Twitter, vídeos no youtube e o samba atualmente rebola com a sua influência. Contou até da dança e o lirismo de uma banda chamada Parangolé que sabe muito bem o que é um “rebolation”. Ele assinou como Lázaro Ramos e, em seguida observei o próprio entrar em cena.

Cantando “com que roupa eu vou”, o ator me encantou caminhando em direção a um guarda-roupa, que estava no meio do palco, para colocar, o terno, a gravata, o colete e os sapatos que ainda faltavam para ele vestir. Nesta hora, quem recebe a palavra é Roberta Sá. Chegou com um vestidinho rosa clarinho, e uma voz gostosa que me fez dançar sentada e cantar calada. Deslumbrada, observei-a caminhar para fora do palco e deixando um Lázaro Ramos completamente vestido tomar conta do evento.

E que animação ele expunha! Este, que é um dos maiores atores nacionais, falou como um verdadeiro artista que se expressa sabiamente pela arte de iludir. Naquele discurso, entre o prêmio de melhor livro e o de melhor CD erudito eu bebi da palavra de Noel no discurso de Lázaro Ramos e me embriaguei com a banda que fez a figura centenário renascer por instantes.

No total foram em 10 categorias que artistas consagrados e reconhecidos pela revista levaram a estatueta de ponto de exclamação. Também teve a presença do Ferreira Gullar na hora de entregar o prêmio de literatura, que como bem disse o vitorioso: Não sei se estou mais feliz, porque ganhei ou, então, porque apertei a mão do Ferreira Gullar. É eu seria outra que não saberia isto direito, afinal sai de lá radiante por ter tirado uma simples foto com a fofíssima Roberta Sá.

Mas dos vencedores quem realmente roubou a cena e, inclusive, foi chamado de o mais fofo da noite, foi o Manoel de Barros. Recebeu o troféu como personalidade do ano e, mesmo não se fazendo presente, seu discurso filmado surpreendeu a todos com uma história sobre mitos e seu jeito de vovô carinhoso deixou as garotas com vontade de abraçar o velhinho sorridente e bigodudo.

Por final, comi uns docinhos deliciosos, ganhei um CD com a minha queridíssima e uma agenda pequena. Ao sair os guarda-chuvas corriam por todos os lados, os manobristas pegavam os papeizinhos para buscar os carros e a fila para ir embora crescia. Ao entrar no carro, guardei a palavra que faz chorar dentro de mim e disse silenciosamente “Adeus” ao Prêmio Bravo!.