segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Camila "curtiu" a sua página no Facebook

Como os jovens buscam princípios para se estruturar em um mundo no qual o Facebook define, através de valores materiais, o que se deve gostar.

O que pensam os jovens hoje em dia? Está é uma pergunta complicada de se responder. Podemos encontrar a resposta em livros como Hell, de Lolita Pille, que retrata o universo decadente e imerso em drogas em que vive a elite parisiense (peça em cartaz em São Paulo), em filmes como A rede social, de David Fincher (em cartaz nos cinemas) que expõem a que ponto leva a ambição de um gênio imaturo ou, inclusive, nas páginas do Twitter e Facebook, nas quais os adolescentes têm a liberdade de publicar os desejos de consumo, com um simples “Curtir” ao clicar em marcas famosas de roupas, perfumes e até cervejas. Por estas características, torna-se fácil descrever que os jovens da atualidade apresentam características fúteis e materialistas.

Porém é possível encontrar garotos e garotas que vão contra esta corrente e são extremamente apaixonados pelos valores que adquiriram. Eles estão presentes em espaços sociais que pregam alguns conceitos antigos e tem como princípios o amor, a família, o patriotismo, a filantropia, entre outros. Encontramos raras ordens, organizações e grupos que propagam tais ensinamentos para jovens. No entanto, o que mais chama atenção é o fato de haver, sim, pessoas entre 11 a 21 que estão dispostas a se submeter a esta atmosfera estruturada com padrões que chegam a ser opostos ao que vemos nas baladas, internet e mais, ainda chegam a amar aquele grupo como uma das coisas mais importantes na vida.

A maçonaria atual abriu as portas para aos jovens e eles aprendem desde cedo alguns princípios filosóficos que afirmam: ter uma conta milionária não é tudo na vida. Camila Botossi, 21 anos, faz parte de uma ordem páramaçonica (ordem vinculada à maçonaria), a Filhas de Jó e acredita que participar deste meio “ajuda tanto no crescimento moral quanto espiritual e, de alguma forma, ajuda no nosso desenvolvimento, pois tiramos verdadeiras lições e amizades que levamos para toda nossa vida”. Da mesma forma, afirma Alfredo Genari, 20 anos, membro da ordem páramaçonica Demolay, “isto agregou qualidades à minha personalidade e caráter como liderança, confiança, humildade e respeito, em outras palavras, não me vejo sendo a pessoa que sou hoje sem a ordem Demolay”.

Há, também, aqueles que se encontram no meio de um ônibus público e decidem montar um grupo para propagar o bem. É nesta situação que surgiu o Gandaiá, criado em 2008, atuante na cidade de Indaiatuba, interior de São Paulo. O objetivo deles é humanizar espaços, onde vivem idosos e crianças carentes, de carinho e bom humor, através da arte clown. Vestidos de palhaços estes jovens não cobram dinheiro algum, buscam somente espalhar momentos de alegria por onde passam. Vinícius Denny, que integra o grupo há 2 anos afirma que “ao ajudar outras pessoas, eu estou me ajudando de diversas maneiras. Estou passando por experiências, escutando relatos de pessoas muito mais experientes que eu e aprendendo o que eles me passam”.

Diferente da trágica história da jovem Hell, que sem estrutura e valores pessoais, joga-se nas drogas para suprir o vazio e de Mark Zuckerberg (criador do Facebook), que mesmo se tornando um dos jovens mais ricos do mundo é também extremamente solitário, estes garotos e garotas participam de grupos que trabalham o individuo, eles vão enxergar que são parte de uma sociedade e contribuir da maneira que puder, seja filantropicamente ou através da sua vocação propagando bons princípios onde for.

Como disse Vinícius, ao explicar a diferença entre o clown e o palhaço, “O clown tira as máscaras sociais e expõe o ridículo. Todas aquelas características que você normalmente não pode explorar em você, por pressão da sociedade, aparências, convenções e etc. E que, muitas vezes, você nem sabe que tem. É muito relacionado ao autoconhecimento”. É por meio desta realidade que estes adolescentes deixam de ser palhaços e se tornam responsáveis por suas ações. Com maturidade, eles encaram a vida buscando mais do que dinheiro e uma constante felicidade, aceitam que devemos sofrer e que o clown também vai chorar de tristeza.

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