quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A origem das ilusões.

E depois de tanto querer ir assisti-lo, foi em um momento de impulso que eu me vi dentro do cinema pronta para ver “A Origem”. Sentada na ultima fileira, em uma sessão no shopping Frei Caneca eu acompanhei inquieta a história em que o ladrão Cobb, representado por Leonardo Di Caprio, entrava nos sonhos alheios e apagava algumas memórias ou idéias. Cobb tem a única missão de voltar para sua família e para isto ele aceita qualquer desafio, até mesmo tornar-se parte de um crime. Como em muitos filmes hollywoodianos, os fins justificam os meios quando a finalidade for o bem familiar, que de acordo com o mundo do entretenimento esta é a instituição que deve estar acima de qualquer outra.

Diante de algumas idéias já divulgadas em outros filmes, “A Origem” apresenta-se como um filme comercial, com muita ação, longas cenas de tiroteio, um som que garante muita diversão e cenários para encher os olhos com belas visões. Peca ao não introduzir um contexto, não se compreende muito bem da onde surgiram estes profissionais que atuam com sonhos e nem qual o papel disto naquela sociedade. Sabe-se somente que eles existem e que podem ir para o “mercado negro” dos sonhos.

Onze anos depois do lançamento de Matrix, Christopher Nolan, diretor e roteirista do filme, retoma o questionamento em relação à realidade em que vivemos, porém apresenta um novo foco. Com influência da psicanálise, o irreal não é mais o que é externo a nós, como era em Matrix, agora ele está dentro de nós. Os personagens do filme apresentam este questionamento como algo viciante, uma vez experimentado, jamais poderá ser evitado. Isto porque, eles colocam em prova os próprios sentidos, a percepção que sustenta o que é real não consegue mais discernir o que não é, já que as emoções apresentam-se tão fortes tanto dormindo quanto acordados. E pior do quem em Matrix, o despertar não basta, porque a confusão é interna.

Freud e Jung são apresentados à cultura de massa e muito bem recepcionados. “A Origem” apresenta filas enormes nos cinemas e espectadores decepcionados com a insuficiência dos ingressos. A realidade dos sonhos no filme é exposta como algo fora do padrão, com linearidade e alguns absurdos que os dois psicanalistas citados discordariam completamente, mas não é isto que me chamou a atenção.

Mais do que duvidas da realidade, o filme faz o espectador questionar se é melhor viver dormindo ou acordado, ou até mesmo em sonhos despertos. A riqueza interna do ser humano é colocada na parede e cada um sai do cinema lembrando-se das suas fantasias cheias de esperança devido aos sentimentos mal resolvidos, como a culpa, desilusões amorosas, autoestima baixa e outros conflitos. Estas ilusões não fazem parte do mundo real, mas ali, dentro de nós, são tão vivas e reais quanto às externas e fazemos questão de tê-las nos reconfortando diariamente.

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