terça-feira, 17 de agosto de 2010

O despertar do Romantismo

Este final de semana eu assisti a uma peça muito interessante chamada “O despertar da Primavera”. Acompanhei calmamente as músicas que os jovens cantavam, mesmo com a minha dificuldade em compreender o diziam, entendi muito bem o que era transmitido ali. A peça passa-se durante a idade moderna, por volta dos anos 1880/90, quando os adolescentes começam a sentir os conflitos da juventude na Alemanha patriarcal, com comportamentos rígidos e influenciada pelo iluminismo.

Eles se confrontam com a sexualidade, o suicídio, o incesto, a homossexualidade, o casamento e principalmente com os ideais que Goethe já gritava para eles nesta época: os sonhos profundos dos românticos. Fugindo da rigidez e materialização da razão, os jovens vão ao encontro do sentimento, querem sentir, nem que seja a dor de uma surra. Buscam o amor, os sonhos de casamento, o sexo e vivem com o medo como o maior parceiro devido ao contexto histórico.

O que mais me chamou a atenção, por incrível que pareça, não foi esta reestruturação de antigos valores, mas o fato deles terem se tornado religiosamente presentes no mundo contemporâneo. Espantou-me descobrir que ali, naquela mesma platéia ao meu lado havia garotos que assistiam à peça pela décima vez e garotas que cantavam todas as músicas de cor. “O despertar da Primavera” apresentou-se ao seu fã clube.

A euforia das meninas na fila do banheiro, que quase desmaiavam ao falar do ator principal me deixou no mínimo intrigada. Não contive a associação, o romantismo exacerbado e a obsessão dos fãs, me fizeram lembrar, evidentemente, da saga O Crepúsculo e do seu principal mote: Se você pudesse viver para sempre, para o que você viveria? E foi exatamente ai, no motivo da existência que eu descobri, que neste contexto romântico de supervalorização dos sentimentos, o que incentivava aqueles jovens a louvar obras completamente emocionais.

Qual a grande motivação do adolescente atual? O que este garoto inserido na Idade Contemporânea, que busca a sua identidade loucamente e a sociedade apresenta somente soluções consumistas. Este jovem quer se encontrar e está inserido em um momento histórico em que tudo é questionado: as instituições, tanto familiares como sociais são facilmente desmanchadas e substituídas. E ninguém mais sabe no que acreditar, tudo se torna relativo e a verdade e a certeza não podem mais ser afirmadas.

É diante de um grupo social que passa por estes questionamentos que o adolescente contemporâneo busca a sua identidade e ele vai encontrá-la exatamente ali, no efêmero. Por isto, ele resgata o Romantismo e agora encontra um motivo pelo qual viver, exatamente como afirma Stephenie Meyer: viva para amar.

E como a peça demonstra o objeto de amor pode morrer, mas se é mantido vivo dentro de si. Com esta nostalgia os jovens enfrentam a vida e depositam na esperança dos ideais românticos um motivo para acreditar neles mesmos, chegando a comprar dez vezes um mesmo ingresso, para fugir desta realidade e sentir mais uma vez o gostinho dos seus sonhos.

Um comentário:

  1. Tem que considerar a idade desse pessoal, também, né? Mesmo assim, a gurisada mais nova hoje em dia é muito careta. É a geração-bundinha, que acreditou nos contos de fadas dourados contados pelos seus pais - ou melhor, que acreditou no que assistiam no Malhação.

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